Confesso que durante um tempo de minha vida, apesar de gostar e lidar muito com gente, achava que tudo se tratava de dinheiro no mundo corporativo.
Está chocado? Não imaginava que eu pensava assim?
Pois é, mas explico: com dinheiro as mudanças organizacionais podem ser realizadas com uma amplitude maior. No final do dia, uma empresa precisa ganhar mais dinheiro do que gasta, dia após dia. E se em um dia isto não ocorre, no outro deve ocorrer em dobro, ou a operação não para em pé. Empresas existem para ganhar dinheiro.
O que me fez mudar de idéia?
Muitas coisas, e não foi da noite para o dia. Continuo a achar o dinheiro importante, e não vou ser hipócrita de dizer que não.
Mas, o tempo, me mostrou que mesmo com muito dinheiro, se a “gente” das empresas não quiser realizar o trabalho, nada mudará.
É preciso ter gente motivada, engajada, sonhando junto, construindo, sendo bem pagas para ficarem satisfeitas com o trabalho e que queiram sempre construir mais e melhor.
Transformação digital e gente
Há muitas coisas para viabilizar a transformação digital nas empresas, mas nenhuma delas é mais importante que a “gente” que vai promover a transformação, seja digital ou não.
Recentemente, o CEO do Grupo Boticário, Fernando Modé, disse em um artigo da Forbes Brasil:
“Qualquer transformação, inclusive a digital, é uma questão de gente: acreditar em formas diferentes de fazer as coisas, desaprender para poder aprender, aceitar o erro, a vulnerabilidade. Se você não cria um ambiente para isso, é impossível evoluir” (Modé, 2021)
Eu que já trabalhei no Grupo Boticário, concordo e vi a todo tempo, durante minha passagem por lá e também depois, o significado de construir e mudar através das pessoas.
Gente, gente, gente
O dinheiro foi invenção de gente, a moeda foi invenção de gente, as criptomoedas são invenção de gente.
Gente pode muito, gente pode tudo.
E somente através da “gente” que a vida faz sentido.
Portanto, valorizar a nossa gente, dar oportunidade para nossa gente, mudar uma empresa promovendo a mudança de nossa gente e não a penas a troca de nossa gente por outras, é um caminho real.
