O que é uma Cidade de 15 minutos
A Cidade de 15 minutos é um conceito onde tudo que se necessita deve estar a quinze minutos a pé ou de bicicleta de cada indivíduo, o pai deste conceito é Carlos Moreno, urbanista, colombiano que vive em Paris e é professor na Universidade de Sorbonne.
Em cidades menos compactas admite-se o parâmetro de 30 minutos.
Esta ideia significa menos trânsito, mais transporte público, mais desenvolvimento descentralizado.
O conceito apoia-se na ideia de cidades multicêntricas, ou seja, que tenham mais de um centro, talvez um por bairro, e onde todos podem encontrar tudo que precisa para trabalhar, ter lazer, ter assistência a saúde, educação
Para isso, é necessário levar a muitos bairros, centros que possuam todas estas opções.
Eu vivi muitos anos em uma metrópole, São Paulo, e tive o privilégio de morar em um bairro onde podia ter, lazer, educação, acesso a hospitais, a 15 minutos de casa, mas isto tinha um alto custo para mim.
Apesar destes privilégios, trabalhar a 15 minutos de casa não se enquadrava nestes benefícios, eu levava de 30 (com sorte) a 60 minutos para percorrer exatos 10 km até o escritório onde eu trabalhava.
Comparado com muitos outros colegas que chegavam a percorrer 15 km em 2 horas, levando 4 horas para ir e voltar do trabalho por dia, eu tinha sim um privilégio, mas que também me custava caro.
O transporte público chegou a 300m de casa, e a 800m do trabalho, cheguei a usar esta opção, cujo o custo era bem menor, mas que continuava a me levar 50 minutos para fazer o percurso.
Mudei de cidade e de país (parte do plano de ser um Nômade Digital)
Hoje mora em Portugal na Cidade do Porto, e o escritório fica a 800m de casa, e tenho farmácias, hospital, educação e lazer ao redor (dentro dos 15 minutos a pé).
Mas mais uma vez, ainda me custa caro isto.
Apesar de ser uma cidade bem menor que São Paulo e a Cidade do Porto ter uma infraestrutura de transporte público muito boa, incluindo um boa via para ciclovias (mas precisa melhorar muito ainda), o Porto ainda está a pensar o conceito de “Multicentralidade”.
A Cidade de 15 minutos não pode ser apenas para quem pode pagar para ter tudo perto, tem que principalmente ser para aqueles que não podem pagar e hoje não tem tudo perto.
Em termos de investimento na ideia, não acho que deva ser apenas o poder público a investir, empresas e empresários devem realmente buscar este conceito.
Inevitavelmente tenho que citar a Pandemia como um fator que impulsiona a ideia, pois o home office ou teletrabalho que nos foi forçado, mostrou que podemos viver bem trabalhando de casa.
Acredito que as grandes empresas, que tinham grandes escritórios, caros, poderiam pensar na ideia de ter pequenos escritórios, descentralizados fisicamente, proporcionando a seus colaboradores que se desloquem dentro dos bairros que moram para trabalhar na infraestrutura da empresa, evitando mais carros na rua, devolvendo o convívio corporativo e muito importante para a saúde mental pós-pandemia e também evitando grandes aglomerações de trabalhadores, esta Empresa “Multi-Escritórios” seria um grande impulsionador do modelo.
Isto se aplica bem aos centros de serviços, mas é mais difícil dividir uma grande fábrica (indústria) em diversas pequenas espalhadas pela cidade.
O que se consegue sem tentar?
Nada, conseguir algo requer ao menos uma tentativa, e a busca pelas Cidades de 15 minutos deve ser uma estratégia dentro dos planos urbanísticos das grandes cidades, e das pequenas que não querem ter o mesmo problema no futuro, mantendo uma boa qualidade de vida.
Não há solução 100% assim como não há problema insolúvel, todos os problemas dos grandes centros podem ser minimizados com ideias e ações.
Cidades de 15 minutos provocam uma nova dinâmica, um grande crescimento econômico pode ser obtido nos investimentos para este conceito.
A Tecnologia da Informação, os aplicativos para smartphones, são fundamentais, para oferecer serviços onde nem seja necessário se deslocar, e nisto as cidades precisam investir cada vez mais.
Ganha todo mundo, Cidades, Governos, Empresários e Empresas, Pessoas e a qualidade de vida de todos.
O plano é ir a pé
Se tem que ir, vá a pé.
Se andarmos a pé 5 km por dia, é bem provável que tenhamos menos problemas de saúde, menos custos com hospitais, e muito mais qualidade de vida.
Se andarmos a pé todos os dias, o caminho percorrido pode provocar uma melhora na saúde mental.
Se andarmos todos os dias, venderemos mais sapatos e menos pneus, poluiremos muito menos a atmosfera. Se andarmos todos dias iremos liberar mais endorfina e provavelmente sermos mais felizes.
A vida, o trabalho e a TI
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